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Jungle Condoms Brasil

Thanks to the natural rubber produced by trees in the Amazon, the Brazilian government will manufacture more than 100 million condoms this year in a state-run factory in the northwestern state of Acre. Given the name Natex, these contraceptives will benefit at least 500 families and provide 150 jobs in Xapuri, as well as help fight AIDS. "The Brazilian government has one of the biggest programs in the world to distribute free condoms," a practice often criticized by the Catholic Church.

By Gary Duffy BBC News, Sao Paulo / Edmilson Ferreira  Agência de Notícias do Acre

Brazil makes 'rainforest' condoms  8-4-2008 

Producing local condoms will help preserve the world's largest rainforest
The Brazilian government has begun producing condoms using rubber from trees in the Amazon.
The health ministry says the move will help preserve the largest rainforest in the world.
It will also cut dependence on imported contraceptives, which are given away to fight Aids.
The Brazilian government has one of the biggest programmes in the world to distribute free condoms in the fight against the disease.
The new state-run factory is in the north-western state of Acre, and will initially produce 100 million condoms a year, which will be known by the name Natex.
Officials believe that not only will it generate income for Amazon residents, but it will involve using a product which is widely available and can be obtained without destroying large areas of the rainforest.
The latex will come from the Chico Mendes reserve, an area named after the famous conservationist and rubber tapper who was shot dead in 1988 by local ranchers.
The factory will benefit at least 500 families and provide 150 jobs in the town of Xapuri which has a population of around 15,000 people.
The health ministry says the condoms will be the only ones in the world made of latex harvested from a tropical forest, and will reduce the reliance on foreign imports.
The Brazilian government says it is the world's largest single buyer of condoms, purchasing more than a billion of the contraceptives in recent years to give away free as part of the country's national programme to combat Aids.
The policy, which is at its most visible during the Carnival period, has often been criticised by Catholic bishops who say it only encourages promiscuity.

 

 


Inaugurada fábrica de preservativos em Xapuri
07/04/2008 - 21:48
Dos "empates" até a construção da Natex, o estado do Acre mostra como a economia florestal se fortalece com a aplicação do neo-extrativismo: indústria com mão de obra qualificada e a floresta como referência de desenvolvimento

O Governo do Acre inaugurou nesta segunda-feira, em Xapuri, a Natex, a primeira fábrica do mundo a utilizar látex de seringal nativo para produção de preservativos sexuais masculinos. Seringueiros, trabalhadores rurais, lideranças políticas de várias cidades do Vale do Acre, deputados, prefeitos, vereadores compareceram para prestigiar a cerimônia, que sela um novo tempo para o extrativismo na Amazônia.

O governador Binho Marques, os senadores Tião Viana e Siba Machado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, descerraram a fita como ato simbólico do resultado de uma luta iniciada na segunda metade da década de 1970 com os "empates" organizados pelos trabalhadores em defesa do trabalho e da floresta. Naquele tempo já havia quem dizia que Chico Mendes, o líder ecologista que fez o mundo ver a Amazônia com outros olhos, era um homem de vanguarda, que enxergava muito adiante de sua época. O advento do empates confirmava isso. O primeiro deles foi realizado no Seringal Carmen, em Brasiléia, para proteger modo de vida dos trabalhadores rurais.  Os Empates aconteciam quando os seringueiros, as suas famílias, a comunidade inteira protestavam contra a derrubada da floresta formando um cinturão de gente à frente das motosserras.

A luta dos seringueiros, que culminou com o covarde assassinato de Chico Mendes, estabeleceu paradigmas para o relacionamento do Homem com o meio ambiente, até que em maio de 2003, um dos grandes amigos do Acre, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva assina protocolo de intenções com o Governo do Estado para a Implantação da Fábrica de Preservativos Masculinos em Xapuri. Iniciava ali um novo tempo para as comunidades da região.

O fortalecimento dos órgãos dedicados à pesquisa, como a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) ampliou os estudos de viabilidade técnica e econômica que, iniciados em 2000, contaram com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, através do Instituto Nacional de Tecnologia, e o Ministério da Saúde. Entre 2002 e 2003 a produção de camisinhas com látex natural, que até então apenas um sonho que vez por outra emperrava na burocracia que não conseguia medir o alcance do empreendimento.

A teimosia de pessoas como o secretário de Planejamento, Gilberto Siqueira e o ex-governador Jorge Viana conseguiram fazer a idéia vencer barreiras e consolidar-se como projeto de desenvolvimento econômico e sustentável. "Xapuri inaugura uma nova fase de prosperidade, onde a gente pode unir o conhecimento tradicional com o que há de mais moderno no mundo", disse Viana durante a inauguração da unidade que impôs uma série de ações integradas, como melhoria de ramais, reabertura de varadouros, repovoamento de colocações, construção de novas casas para os seringueiros envolvidos e muito mais. Viana avalia tudo isso como resultado prático do pensamento de Chico Mendes: "o Chico nunca deixou de aprender com os mais velhos. Ele sempre levantou os olhos para ver no mundo o que se tinha para gerar mais dignidade para os trabalhadores", afirmou o ex-governador que assinou com Lula a ordem de serviço para início da construção da Natex.

O empreendimento tem fornecedores em 700 colocações geo-referenciadas e com banco de dados socioeconômicos: sabe-se exatamente quem são, onde estão e como vivem os extrativistas que fornecem látex para a fábrica. Sua área de cobertura chega a um milhão de hectares.

A produção de camisinhas, que os testes comprovaram ser de melhor qualidade que a fabricada com látex de cultivo, será toda vendida ao Ministério da Saúde. Serão 100 milhões de unidades de preservativos ao ano, destinados aos programas nacionais de combate às DST/Aids.

Os seringueiros envolvidos no negócio foram treinados e estão aptos à atividade que requer cuidados na coleta, armazenamento e transporte do látex. A área construída da fábrica prevê ampliação de maquinários para produção de mais 200 milhões de preservativos.

 

Parceiros da Natex

Ministério da Saúde (através da Funasa/FAR-Manguinhos e programa DST/Aids); Ministério da Ciência e Tecnologia;

Ministério da Integração Nacional;

Ministério do Meio Ambiente;

Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (através da Superintendência da Zona Franca de Manaus, Suframa);

Ministério de Minas e Energias (por meio do Programa Luz Para Todos);

Conselho Nacional dos Seringueiros;

Associação dos Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes de Xapuri (Amorex);

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri;

Cooperativa Agro-extrativista de Xapuri; BID;

Inal;

Blowtex.

Natex: preservativos com custo mais barato

O preservativo acreano alcança o mercado com cerca de 10% a menos de custo de produção e descobriu-se, depois de muitos experimentos, que a rentabilidade do látex nativo é até 8% superior a do látex de cultivo. Além disso, os testes revelaram também que no látex nativo a presença de minerais é 50% menor que no látex de cultivo, o que amplia a resistência da camisinha.

Convênios asseguram assistência técnica e pesquisa de novos produtos



O governador Binho Marques e o diretor-presidente da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), César Dotto, assinaram dois convênios com o Ministério da Saúde: um de cooperação e assistência técnica e outro para desenvolvimento de novos produtos, no valor total de R$ 22 milhões.

Na oportunidade, Binho anunciou a potencialização das Zonas Especiais de Desenvolvimento (ZEDs) até 2010, ano que o Acre estará consolidado como o melhor lugar para se viver na Amazônia. As ZEDs são reflexo da Florestania e da política de desenvolvimento comunitário deflagrada por Binho em todo o Estado: "o Chico Mendes não via apenas um seringal, mas via um seringal com escola, saúde e qualidade de vida", afirmou, sempre evocando os princípios do líder ecologista cujo assassinato completa 20 anos em 2008.

O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, representou o ministro José Gomes Temporão, que não pôde comparecer à cerimônia devido a problemas em família. "Este é um momento de amor, que une todos os acreanos", disse Penna.

Tião Viana: "Binho zelou para que este sonho tornasse realidade"

Um dos mais incansáveis batalhadores para concretização da Natex, o senador Tião Viana fez sérias críticas à burocracia que tentava impedir a realização do sonho desenhado ao longo de décadas de lutas dos trabalhadores. O sonho, no entanto, sobrepujou aos problemas e se tornou realidade. "Muitas pessoas trabalharam para que isto fosse possível e o governador Binho Marques cuidou para que se tornasse realidade", disse o senador lembrando os vários personagens e parceiros do projeto.

"Este ato testemunha que as pessoas agora têm vez e voz", diz Marina

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se mostrava especialmente feliz com a inauguração da Natex. Marina relacionou aquele ato à concretização de um sonho que acabou sendo vivido por muitas pessoas e que terminou por promover a inclusão de pessoas que lutaram muito tempo pelos seus direitos. "E o que foi que nos mobilizou até aqui?", perguntou a ministra. "Hoje estamos aqui para testemunhar que pessoas sem voz ganharam voz", completou.

Marina conhece as dificuldades da vida na floresta e vê naquele empreendimento uma possibilidade real de desenvolvimento humano. Além disso, afirmou ela, a experiência ajudará a combater doenças não somente no Brasil mas no mundo inteiro.

Edmilson Ferreira
Agência de Notícias do Acre



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